DIREITOS HUMANOS
Seminário inédito debate direitos dos povos ciganos no VI Encontro de Cultura Cigana de MT
Evento reúne representantes do movimento social cigano e instituições públicas para discutir políticas voltadas às comunidades ciganas




Como novidade do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de MT marca a importância de discutirmos políticas públicas voltadas aos povos ciganos no estado. Executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT), o seminário acontecerá na abertura do encontro no dia 1º de maio em Rondonópolis, às 9h.
O evento contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano para os diálogos, com objetivo de analisar, discutir e propor soluções para a superação dos obstáculos estruturais, pela garantia de seus direitos.
No Brasil, povos ciganos de três etnias, Calons, Rons e Sintis, percorreram sua trajetória em várias regiões, contribuindo para a construção do país. Entretanto, seus modos de vida, linguagens, liberdade e tradições foram alvo de discriminação e preconceitos que percorreram até os dias atuais. Com idealizações errôneas sobre sua cultura, povos ciganos são vistos de forma estereotipada. Isso contribui não apenas para o racismo em sua forma mais visível, mas também para um apagamento histórico e a falta de acesso a políticas públicas que abracem a visão de mundo dos povos ciganos.
A cultura distorcida pela visão eurocêntrica no país e as políticas colonialistas no decorrer da história dos povos ciganos, prejudicaram a existência dessas comunidades. O nomadismo, que é frequentemente ligado à cultura cigana, por exemplo, foi na maioria das vezes, frutos da aplicação de leis e políticas de expulsão. Essa e outras violências ficaram obscurecidas na história do nosso país, evidenciando apenas as narrativas criadas por não-ciganos.
O I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso almeja reparação histórica aos que resistem ainda hoje, acesso à educação, à saúde, à moradia digna e respeito às suas identidades culturais, considerando formas próprias de organização social e política. Apesar de já existir discussões de políticas públicas eficientes para comunidades tradicionais no Brasil, comunidades ciganas ainda são minoria no recebimento dessas iniciativas e não estão em evidência na maioria dos estudos e estatísticas nacionais.
Neste VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o Seminário receberá a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos, a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial, que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro. Membros do Coletivo Ciganagens também participarão do evento: Roi Rógeres, Sara Macedo e Desirèe Almdeida.
Desde 2017, o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, realizado pela AEEC-MT e, desde a 3ª edição (2021), em parceria com a Secel-MT, promove atividades como essa em Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra, com o objetivo de salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais. A iniciativa busca proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas, fortalecer as trocas intergeracionais entre crianças, jovens, adultos e anciãos, além de ampliar as discussões sobre seus direitos.
