ASSOCIAÇÃO DAS ETNIAS CIGANAS

ARTES CÊNICAS

“Rarripe – Ciganas em Cena” leva vivência em teatro para comunidade Calon de Rondonópolis

Projeto fortalece o núcleo de artes cênicas da AEEC/MT, que também é composto pelo grupo de danças Tradição Cigana

Promovido pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), o projeto “Rarripe – Ciganos em Cena” é uma vivência que leva formação em teatro para pessoas ciganas da comunidade de Rondonópolis, em Mato Grosso.

Este é o primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes e atores ciganos do Brasil. O projeto teve início em fevereiro deste ano, com a participação de 14 pessoas. Desde então, os encontros vêm ocorrendo todos os sábados, no Salão Comunitário do Jardim Iguassu.

Após participar da primeira aula, a jovem Amanda Pinheiro destacou os benefícios do curso de teatro para o desenvolvimento corporal e criativo. “O curso é muito interessante. A gente não está muito acostumado a se movimentar, e o teatro acaba estimulando a criatividade e a concentração, além de fazer bem para o corpo e a mente”, afirmou.

O projeto é uma ação vinculada ao convênio realizado pela AEEC-MT em parceria com a Secel/MT, para realização do “V Encontro de Cultura Cigana de MT”, cuja coordenação geral é de Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e com coordenação pedagógica de Aluízio de Azevedo.

Já a coordenação pedagógica do curso ‘Rarripe’ é executada pelo diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, e pelo teatrólogo e artista plástico, Tami Gondo Lage. A direção de atores é executada pelo professor de teatro, Ricardo Almeida.

Zaiden explica que começou a vislumbrar esse projeto em 2017, quando assistiu uma peça encenada por mulheres ciganas que não eram atrizes profissionais, em Portugal. “Aquilo me abriu um novo olhar sobre as possibilidades do teatro e pensei em levar essa experiência para Mato Grosso. Partimos de um grupo de dança já existente, até chegar ao teatro. Hoje, é muito emocionante ver a transformação dessas pessoas, tanto no corpo quanto na forma de se expressar, pensar e se relacionar. Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda consigo mesmo, estimulando a criatividade, a reflexão e o convívio”, disse.

O primeiro módulo da vivência encerrará concomitante aos dias de realização do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que ocorre em Rondonópolis, e quando o grupo fará uma participação especial apresentando os resultados do curso, com algumas intervenções teatrais entre os dias 01 e 02 de maio.

Composto por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro, a ideia do curso é ter uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em outros eventos artísticos e culturais.

A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos. Para o teatrólogo Tami Lage, isso torna o projeto ainda mais simbólico. “Temos trabalhado a dramaturgia a partir das vivências delas, criando uma conexão muito rica entre técnica e experiência de vida. O engajamento tem sido até maior do que esperávamos, o que torna essa jornada ainda mais especial, já que tudo é novo para elas — desde a leitura de texto até a compreensão da cena e da atuação. É um processo de descoberta, e esse desenvolvimento tem sido muito significativo”, destacou.

Os integrantes do projeto também já participaram de oficinas com o pesquisador e doutorando cigano circense em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Roy Rogeres Fernandes, com o título “Os laços inexoráveis entre os Povos Ciganos e o Circo-Teatro”. E também a doutoranda, Priscila Lima Freitas, com o tema “Iluminação no Teatro”.

Rarripe

Rarripe na língua Chibe, do tronco étnico Calon, pode ser traduzida como “ilusão”, “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido para quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam no senso comum e no imaginário da sociedade não-cigana.

A origem

O curso de teatro é integrado ao grupo de Danças Tradição Cigana. A maioria das pessoas participa das duas atividades. Os ensaios são voltados ao aperfeiçoamento e formação das artes cênicas no geral. O Grupo de Danças Tradição Cigana nasceu pelo desejo da própria comunidade cigana de Rondonópolis, há cerca de 15 anos e realiza apresentações principalmente durante os eventos da AEEC-MT.

Ficha Técnica

Realização: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC/MT) e Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT)

Coordenação Geral: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

Coordenação Pedagógica e Projeto Pedagógico: Rodrigo Zaiden e Tami Gondo Laje

Produção Executiva: Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e Fernanda Freitas Caiado

Direção de Produção: Kaiardon Produções

Professor de Teatro: Ricardo Almeida

Oficinas Complementares: Roi Rógeres e Priscila Lima Freitas

Figurino: Linscker Marim

Mulheres em Cena:

Ana Carolina Pereira Cabral

Audelena Dias Cabral

Amanda Alves Pinheiro

Cleide Alves Cabral

Dayane Cabral Vitorino Santos

Elidia Alves Cabral

Francisca Pereira Dos Santos

Leila Cabral Nunes

Maria Divina Cabral

Miryan Cabral Farias

Nilva Rodrigues Cunha

Normeci Rodrigues Cabral Pinheiro

Silvia Marques Cabral